Domingo, Agosto 12, 2001


mod
bjork é foda. ela tá lançando um livro, que obviamente se chamará “björk as a book”. O lançamento vai ser em conjunto com a chegada de seu último disco às lojas, “vespertine”, que o gutavo já conseguiu pirateado, através do alexandre, da iódice, que é a criatura mais fissurada pela björk que eu conheço.
O site do rafael nobre conta que a Les Inrockuptibles do último mês adianta trechos do livro.
Mas vamos ao que interessa: la mode! além de entrevistas, pics e registros das colaborações da esquimó em música e cinema, “Björk as a book” reúne os amiguinhos dela, um povo bom como Jean-Baptiste Mondino, Greg Araki, Rei Kawakubo (designer da Come des Garçons) e Hussein Chalayan. Você conhece esse povo?
Desde que surgiu vestida de cisne no oscar (e, antes, de lanterna japonesa, em cannes), björk meio que virou piada entre o povo menos, digamos, entusiasta. Eu sempre acho bárbaro. Ridículo, mas bárbaro. Ela pode, oras. Eu é que não posso ir ao dragão do mar vestido de lagosta. Desde seu primeiro álbum, debut, a desgraçada se cerca de gente escrota: o anglo-nigeriano Hussein Chalayan, darling dos modernos chics londrinos, assinou tanto o vestido de papel que ela usou em sua turnê de estréia, quanto a roupa de envelope na capa do “post”. Em “homogenic”, o escolhido pra conceber aquela gueixa extraterrestre foi alexander mcqueen, o cara que apronta os desfiles mais sensacionais do planeta. Para “vespertine” eu ainda não descobri o nome do designer do vestido do cisne. Vi um desfile seu na “E!”, mas o nome me foge agora. A coleção toda do cara é inspirada em desenhos animados, todos devidamente bordados em lantejoulas. Podre, mas muito legal. E sem contar que cada peça custa lá suas duas mil libras. Viu como custa caro ser ridículo com conteúdo?
Mas fechação mesmo é a justificativa que encontraram pra dizer porque que os shows da björk são tão caros: bom, mortais, de acordo com o francês Le Monde, o cenário do concerto é uma paisagem glacial, que fica ao fundo do palco. Na medida em que o show avança, a paisagem vai derretendo. Isso vai rolar durante todas as apresentações da turnê, que só tem ingresso disponível com cambistas (e se você tiver grana pra dar uma esticada até a europa, onde a turnê já começou).

Sábado, Agosto 11, 2001

Som
Como a última coisa que eu comprei foi o 10.000Hz Legend, do Air, e como o link já tá disponível pra você (linkidificador.blogspot.com), melhor dar outra dica.
Na última sexta-feira, 3, tava eu, as gêmeas Ilana e Tereza e o Walter Rodrigues , voltando da gravação de uma entrevista pro programa (que eu tô fazendo e do qual falo outra hora) lá na Emcetur, antiga cadeia pública. Bom, tudo meio insólito: no meu fiatzinho quatro portas, vidros baixos, as meninas tagarelando no banco de trás, a tereza (ou seria a ilana? Tereza é com “z”mesmo, ou é com “s”? ai...) dizendo que tinha gostado do “discovery”, último do daft punk, mas não muito e eu botando uma música atrás da outra. Sentado no banco do passageiro, do meu lado, o walter, uma das cabeças da moda brasileira, um dos grandes, daqueles que tem desfile disputado a tapa no sãopaulofashionweek. De repente, o som do carro começa a tocar “libertango”, da Grace Jones (o gutavo que gravou pra mim). E é claro que o walter curte, mas com ressalva: “ela é do tempo em que só precisava ter um carão pra fazer sucesso”. Hoje, precisa ter um cu, eu pensei, mas não falei, que pra mim tava bom do jeito que tava, no caminho de volta da gravação, o walter praticamente comentou todas as músicas da fita. Gostos parecidos os nossos. Fiquei meio deslumbrado sim, sou um tipinho besta, como diz o gil dicelli. Bomsaber que um cara que mobiliza tanta opinião pública, lança tendência e tem tanto conteúdo, se encaixa direitinho em certo aspecto da minha vidinha aqui, na província.
Mas falei do walter só pra contar que ele mencionou uma banda chamada Mandalay, que foi usada como trilha pelo felipe venâncio (atual amor da erika palomino , num de seus últimos desfiles. Entrei no winmx , dei search e tava lá. Bom, baixei umas seis músicas da tal banda e recomendo com todas as letras. É muito boa.
Se você curte, deixa eu ver, portishead (a vocalista, que eu não sei o nome, dá os mesmos solfejos da beth gibbons), morcheeba, sneaker pimps, e outros acepipes de trip hop, dá uma conferida.
Bom pra namorar, pra fazer amor, pra jantar, pra tomar vinho. Bom pra sofrer, mas só se for do coração, ai,ai.
Ops!
Antes que eu me esqueça: outro dia, a thaís me saiu com essa: “não curto muito moloko. Sei lá, parece banda de comercial”. Putaquepariu, thaís, isso é o que eu chamo de assimilação total do marketing lá do luckstrike. E eu fiz a pergunta crucial: “tu já ouviu, pelo menos, pra dizer?”, e ela, é se traiu: “não. Só a música do comercial, mesmo”. Bom, aqui vai outra dica: moloko, com cigarro ou sem cigarro, é muito bom. Fuja dos hits que podem cair no rádio ou em comerciais e ouça moloko sem pudor. A dupla é chique, abusada e a vocalista é uma das poucas criaturas do mundo da música que tem boas noções sobre moda (se é que isso vale alguma coisa na hora de ouvir a música. Pra mim, conta alguns pontos, mesmo sem imagens).
Cin
Jurei a mim mesmo que não iria falar sobre o “Planeta dos Macacos”, mas tô meio incomodado com o povo todo achando o filme bacana, e tal. Bom, pensando bem, não vale a pena falar do filme. É uma caca mesmo e talvez o felipe, meu afilhado de 13 anos curta sem preconceito nenhum. Besteira minha achar que o tim burton vai ter a mesma decência e subversão do Franklin Schaffner, o cara que dirigiu o “Planeta” original, de 1968. Whatever. O ítalo, da alcalina acha uma piada comparar as duas versões. Eu tb e ponto.
A única coisa realmente bacana que eu vi estes dias foi “Os guarda-chuvas do amor”, com a Deneuve cantando do começo ao fim, em technicolor. Muito legal. Na verdade, já tinha visto o filme no eurochanel, e íamos assistir (eu, gustavo e ana) ao “Coisas que dá pra dizer só de olhar pra ela”, no Unibanco. Chegando lá, projetor enguiçado, uma bosta. Melhor pra mim, que não tava meio a fim de ver o filme. Por isso, acabamos na sala 1, com a deneuve interpretando uma coisinha enjoadamente apaixonada, chamada geneviéve. Lindo o filme, linda a trilha, do michel legrand, lindo o final, modernérrimo demais pra época em que o filme foi lançando, acho que em 1962. Só o que incomoda um pouco são as falas do filme, ou melhor, a ausência das falas, porque a fita é inteiramente cantada. Não é fácil assimilar geneviéve tendo um piripaco na sua lojinha de guarda-chuvas, e cantando afinadamente que não está passando bem. Esquisito. Engraçado e esquisito.
Ah, tá pasando no cinemax um tal de “Splendor”, que não é o do tornattore (ou seria do ettore scolla?), mas sim um filminho bobo independente, mezzo inglês, mezzo americano. A história, você já viu uns 15 filmes a respeito, fala de uma garota desencanada que namora dois bofes e acaba arranjando um terceiro cacho. A trilha é legal, o figurino é legal, os dois caras protagonizam um beijo na boca muito, digamos, interessante, e o terceiro garoto é a cara do beck hansen. Parece bobo. E é. Mas é muito legal também, bom prum Domingo à tarde, comendo pipoca sentado no tapete. E tem um remix de “kelly watch the stars”do air, que, se você não conhece, tem que conhecer porque vale muitíssimo a pena.
Arq


Luz e movimento
Como hoje ainda é Sábado, não fui, não vi, mas me dei por vencido. Na última sexta-feira, dragão do mar, pra variar, com gustavo e rejane (arquitetos obtusos, mentes opostas, graças a deus). Íamos só matar um pouco de tempo, pra encarar uma massa mais pro meio da noite, então, vimos, grandes, enormes, esferas bidimensionais, muitas cores, muitos metros, escorrendo pelas paredes quase brancas do dragão. A noite era de vernissage e a exposição, que já está em cartaz (e se você estiver lendo este texto num Domingo, aproveite que hoje é de graça!), chama-se “Luz e Movimento” (um título ululantemente óbvio, mas coerente, é verdade) e traz pra cidade (aqui, Fortaleza), um pouco do argentino Julio Le Parc, que o folheto do dragão define como “pai da arte cinética”. Viu como rótulos são necessários? Pronto: agora você já sabe que tem um negócio chamado “arte cinética”.
Quando fomos a Paris, em abril último (eu, Gustavo e Ana Naddaf), vimos muita coisa sobre arte cinética, principalmente no Parc de La Villette. Por lá, luz, movimento e outros acepipes continuam hype. Talvez, aqui em Fortaleza, sem auras de velho mundo, a expo de Le Parc soe, pra muita gente, como uma espécie de feira de ciências para adultos. É tudo lindo, e vai rolar alguém dizendo “olha que eu poderia usar esse treco como luminária, lá na minha sala”. Arte é um troço esquisito. Quanto menos a gente se despe de pose, de argumentos complexos e de embasamentos acadêmicos, mais a gente cai na real: arte é simplicidade. Não precisa entender, sacar, assimilar nada. Se rolar um entendimento, massa!, mas não acho justo usar a arte como justificativa pra punheta mental.
Polvo, gato, labrador e bauhaus
Ainda na noite da Sexta-feira, acabamos indo comer um arroz de polvo na casa da giovanna cartaxo e do eduardo freire. Casa, não: chácara, sítio, sei lá, um espetáculo de gostoso o jardim, o quintal, o caramanchão (você sabe o que é jantar sob um caramanchão, com uma filhote de labrador e uma gata siamesa se enroscando nos pés?). enfim, lá pelas tantas, menos alto do que eu gostaria de ter ficado, mesmo após chopp com vinho, pilsens e uns oito tragos de tequilalimãoesal, o eduardo puxou o mote: seria legal se rolasse uma nova bauhaus, ou ao menos uma turma que se preocupasse em recriar o que foi a bauhaus.
Aí eu fui dizer que hoje isso não rola, porque os gêneros mais formais de arte (design, arquitetura), não tem mais pra onde correr. A bauhaus talvez tenha sido o último sopro, e isso já tem seus 80 anos; depois disso, veio niemeyer, que pra mim também é bauhaus pra caramba, e agora uns caras adeptos de princípios de desenho orgânico, como o Frank Ghery, aquele, do guggenheim bilbao. Hoje, repito, não tem mais pra onde correr, do ponto de vista da forma. O único viés é tecnologia.
Até amanhã
Putz, agora que escrevi tudo isso, tô aqui matutando: há uns bons pares de séculos, devem ter dito algo parecido pro galileu galilei: meu filho, a terra é quadrada, não tem pra onde correr, viu?
Posturas definitivas são sempre muito perigosas, hitler soube usá-las e deu o maior golpe de marketing do século passado. Mas nenhuma opinião minha é definitiva. Nem mesmo este textinho sobre arte é. Posso deletá-lo na próxima atualização. Posso mudar algumas vírgulas. Posso dizer: sim, eduardo, rejane, giovanna e majela (namorado da rejane, também arquiteto), uma nova bauhaus pode surgir e romper tudo e mudar tudo e criar tudo e fazer com que pessoas com a minha opinião fiquem sempre obsoletas. Hoje eu não acredito nisso, e acho que o gustavo também partilha isso comigo. Mas amanhã, talvez, eu pense outra coisa a respeito.